Doação de órgãos


Constantemente vemos propagandas nas mídias pedindo às pessoas que doem sangue.

 

É muito importante para a sociedade esse grupo de pessoas, de indivíduos de boa vontade que, uma vez ao ano, pelo menos, se dispõe a doar sangue.

 

Sabemos que os Bancos de Sangue do país inteiro costumam sofrer muitas faltas, porque faltam doadores.

 

Parece que as pessoas não se dão muita conta do quanto é importante a sua atitude de doar, doar sangue.

 

Entretqanto, ao lado dessa doação de sangue que nos parece mais corriqueira, mais costumeira, mais conhecida, existe outro nível de doação, ainda de maior complexidade. É a doação de órgãos. Sim, a doação de órgãos.

 

Muita gente teme, muitos têm medo. Parece que doar órgãos é uma coisa do outro mundo.

 

Algumas pessoas imaginam que doar os órgãos do corpo de um ser querido que falece é como uma profanação ao cadáver, ao corpo que um dia pertenceu ao ente querido.

 

Pouca gente se dá conta dos benefícios que um oferecimento dessa ordem costuma propiciar a tantos.

 

Quando os nossos seres queridos partem, os seus órgãos não vão mais ser úteis para eles, mas poderão ser úteis para tantas pessoas: pele, ossos, olhos, tantas coisas.

 

Quando se fala de órgãos como o fígado, como o coração,  não imaginamos o que isso representa para tanta gente que está nas longas filas de espera por conta de receber um órgão para um transplante.

 

Enquanto as coisas estão ao nível das notícias relativamente às famílias alheias, olhamos tudo isso com uma certa indiferença.

 

Mas, quando se trata de nossos familiares, quando os médicos dizem que a única solução para eles seria o transplante, ficamos ansiosos à cata de algum doador.

 

Acompanhamos isto religiosamente, as estatísticas, os jornais, os acidentes, os acidentados, os doadores, porque se trata de nosso interesse pessoal.

 

E por que é que nosso interesse pessoal não se expande para todas as demais pessoas?

 

Do mesmo modo que fazemos campanhas para doação de sangue, por que é que não fazemos para doação de órgãos?

 

Às vezes, vejo nas Universidades, nos começos de período, os trotes famosos em que os jovens e as jovens se pintam, são pintados, saem pelas ruas pedindo dinheiro. São trotes estranhos, às vezes, humilhantes.

 

Por que é que não se fazem trotes para que esses candidatos aos cursos, ou esses aprovados possam doar sangue? Seria muito mais útil, receberia o aplauso da sociedade.

 

E quando nos acostumamos a doar sangue, nos acostumamos com a ideia de doar órgãos, porque o sangue é importante para os órgãos.

 

Doação de órgãos. Parece uma coisa fantástica. Vemos tantos familiares, amigos que fazem essas doações sem que morram.

 

Parentes que doam um dos rins para outro parente, que doam medula para outro parente, pele e tantas coisas mais que podem ser retiradas dos indivíduos antes que eles faleçam e são doados de boa vontade. São feitos os testes e as doações.

 

Será importante que comecemos a pensar nessa participação social, todos os que nos dizemos religiosos, que queremos ganhar o Reino dos Céus desde a Terra, que afirmamos já estar salvos dessa ou daquela maneira, por esse ou por aquele motivo, mas não temos coragem de fazer o bem aqui na Terra.

 

Não queremos impor a ninguém que faça doações, mas queremos sensibilizar as pessoas para que incentivem doações e, se puderem, também façam as suas.

 

Quando doamos um órgão para alguém, mesmo que  não desfrutemos mais desse órgão, por causa da desencarnação, carregaremos conosco essa certeza de que deixamos alguém muito feliz para viver um longo tempo com a nossa participação.

 

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Quando somos sabedores de que alguém está vivendo com a nossa ajuda, é incontestável a felicidade.

 

Aprendemos com os Amigos do Espaço, com os Espíritos Bons que, quando numa Universidade, por exemplo, são utilizadas as peças anatômicas, os cadáveres colocados em formol, para que sirvam aos estudos dos acadêmicos e a partir daí se descobrem tantas coisas importantes para a saúde humana; que se estudam tantos fenômenos vitais a partir do corpo morto, os antigos donos desses cadáveres, desses corpos, são homenageados no Além.

 

Ensinam os Benfeitores Espirituais que, quando os Órgãos governamentais recolhem nas ruas, ou nos hospitais de indigência, os cadáveres de mendigos, de pessoas que não tinham ninguém por si e são levados esses corpos para os estudos anatômicos, esses Espíritos, sejam quem sejam, são homenageados como verdadeiros Benfeitores da Humanidade.

 

Notemos que eles não deram seus corpos para serem estudados. Eles morreram e seus corpos foram aproveitados para os estudos e, mesmo assim, eles são considerados como Benfeitores do mundo.

 

Imaginemos quando tivermos a iniciativa, a boa vontade de nós próprios fazermos essas doações.

 

Claro que a nossa lucidez, o nosso bom senso responderá pela nossa fraternidade, e que bênçãos não auferiremos, porque doamos o nosso próprio corpo para ser aproveitado no progresso da Ciência, nos estudos das gerações que sobrevirão.

 

Dessa maneira, pensamos em como o ato feito de caso pensado, quando ele é positivo, redunda em benefícios para a alma, redunda em benefícios para todos nós.

 

Fazemos o bem aqui na Terra e esse bem repercute em favor de quem o recebeu diretamente e de quem o propiciou.

 

A doação de órgãos não nos causa nenhum problema.

 

Algumas pessoas dizem:

 

Mas a criatura de quem se retiram os órgãos não está propriamente morta.

 

Está propriamente morta, não está propriamente parada, gelada. Mas aqueles órgãos já não lhe servirão.

 

A sensibilidade do Espírito não chega a esse nível. Os Benfeitores Espirituais, que atendem ao progresso da Ciência, retiram essas criaturas do contato do corpo físico quando os médicos precisam utilizar-se daquelas peças, daqueles corpos, daqueles órgãos para benefício geral.

 

Ninguém suponha que o seu ente querido, que teve uma parada cerebral, que está com morte cerebral, vai sofrer na hora em que os médicos forem retirar-lhe os órgãos.

 

Não, isso não ocorre. Os Médicos do Espaço, os Espíritos Superiores, vendo o sentido, o objetivo dessa faina, desse trabalho, deslocam esses moribundos desencarnantes para que eles não se choquem, não sofram, não tenham qualquer apercebimento do que está acontecendo com o seu corpo em debacle, o seu corpo em finalização.

 

Percebemos isto mesmo em vários acidentes.

 

Há muitos acidentes em que, enquanto os profissionais estão retirando os corpos das ferragens, o Espírito já não está presente ali.

 

A criatura desencarnada, pelos seus méritos, pelos seus valores, é retirada dali. Muitas não chegam a ver os destroços do acidente para que não se choquem, em nome da Lei do mérito.

 

Então, nenhum de nós tenha essa preocupação de que seu ente querido vai sofrer caso doemos seus órgãos. Pelo contrário, ele será abençoado por quem receber esses órgãos, pelos familiares daqueles que receberam os órgãos, e pelos guias espirituais daqueles que receberam os órgãos.

 

Tudo isso se somará, em forma de bênçãos, para que haja felicidade dos dois lados. Felicidade do lado de quem recebeu e muito maior felicidade a partir daquele que fez a doação.

 

Não há necessidade de que haja uma imposição da lei humana para que se faça esse tipo de doação.

 

É alguma coisa tão importante, tão fundamental e sem paradoxos, é alguma coisa tão vital que cada qual de nós deveria deixar escrito, expresso com a família que, na hora que fechássemos os olhos, tudo que fosse proveitoso para alguém pudesse ser usado, para que nós fizéssemos a última doação para a felicidade geral.


Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 162, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em julho de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 26.07.2009.

Em 04.01.2010.

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