Nutrientes das guerras


Não existe quem aplauda a guerra.

Onde quer que ela se manifeste, a guerra se apresenta sempre de forma nefasta.

Ela significa quase sempre o esvurmar dessa tumoração interna da sociedade, quando uma se bate contra a outra.

E é por essa razão que não se pode ver a guerra com bons olhos.

Por mais que se haja tentado justificá-la, a guerra é, por si mesma, uma tragédia humana.

Quando olhamos para o largo dos idos da Humanidade, vamos encontrar a guerra em vários dos seus momentos.

Desde os embates entre comunidades primitivas, bárbaras outras, até as guerras mais próximas de nós. Todas marcadas pela chacina, pelo desapreço à vida, pela crueldade.

Ao pensarmos nas guerras, ficamos a nos perguntar de onde vêm esses impulsos pró-guerra?

Como é que nascem essas experiências na alma humana, que buscam impulsioná-la, que conseguem impulsionar a todas as pessoas para esse vulcão que é a guerra?

Quando nos detemos um pouco e paramos para pensar nisto, temos a real impressão de que as guerras não nascem do nada, elas não provêm do ar que respiramos. As guerras nascem dentro do indivíduo.

É o orgulho que vai gerando a insensatez pela qual uma criatura se imagina superior à outra criatura.

Graças a esse sentimento de orgulho, de vaidade forja-se o sentimento da prepotência.

Eu me sinto melhor que o outro logo, eu me acho no direito de ao outro submeter.

Por causa disso, me bato contra ele até dominar suas forças. Forças sociais, forças familiares, forças militares.

Para onde olhamos e encontramos a guerra, o saldo costuma ser muito negativo.

É natural que temos aprendido com as Leis Divinas a retirar o fruto bom depois das guerras, o aprendizado que fica, depois das guerras.

Nesses tempos contemporâneos, a tecnologia utilizada nas guerras, a posteriori é utilizada a benefício da sociedade.

Todos sabemos, por exemplo, que os motores desses carros populares, que foram chamados na Alemanha nazista de Wolkswagen, foram criados para que pudessem trafegar nos lugares onde não haveria água.

Depois disso, se transformou num point da indústria automobilística. Carros, cujos motores não precisariam de água. Eram refrigerados a ar.

Nas áreas médicas de pesquisas terríveis, realizadas por médicos orientados por Hitler, advieram colaborações notáveis para o campo da cirurgia, da farmacologia.

Mas, tudo isso que nasceu com a guerra, indubitavelmente poderia nascer pela inteligência humana. Não é necessário que façamos a tragédia para que o cérebro funcione positivamente.

A criatura humana descobriu a eletricidade que existia no mundo em a natureza e conseguiu usá-la para o bem. Conseguiu fazer, por exemplo, a luz elétrica, os utensílios elétricos. Mas, em nome da guerra, dessa miséria humana, dessa tragédia que ponteia dentro da alma do ser humano, nasceu também a cadeira elétrica.

Vamos percebendo, gradativamente, de onde vem a guerra, de onde nasce esse sentimento belicoso, de onde vem essa beligerância que vai transformando os indivíduos humanos em verdadeiras bestas.

Todas as guerras têm nascedouro no íntimo da criatura humana.

*   *   *

As guerras nascem no íntimo do ser humano, com certeza. E como é que nascem as guerras da nossa intimidade?

Basta verificar como são as nossas relações humanas, seja na família, seja no trabalho ou na sociedade como um todo. Carregamos na nossa intimidade determinados surtos que, de repente, explodem.

Carregamos conflitos na nossa parte interna, na nossa alma que, de repente, irrompem e, ao irromperem esses conflitos, quem estiver por perto recebe o ricochete.

Quase sempre são as pessoas da nossa relação mais íntima, nossos familiares.

Brigamos com a família, explodimos com a família, dizemos impropérios. Ainda que, depois disso nos arrependamos, já espalhamos esse mórbido sentimento, essas energias desarvoradas ao nosso redor.

Como vivemos num universo de ondas, de energias, as ondas que partem do nosso pensamento, de acordo com a sua frequência, vão alimentar os bancos de ondas, que existem pelo Universo afora.

Em toda parte existem ondas de ódio, de amor, de fraternidade, ondas de bem, ondas de mal, que se espalham como verdadeiras ondas de Hertz através do nosso Universo.

Quando criamos, com a frequência dos nossos pensamentos, determinados tipos de ondas, elas vão alimentar as que já existem por afinidade, por sintonia vibratória e, conseguintemente, por afinidade, por sintonia vibratória, esses bancos energéticos do espaço, esses bancos de ondas do espaço, nos retroalimentam.

É por essa razão que, quanto mais sentimos raiva, mais raiva sentimos. É por esse motivo que, quanto mais amamos, mais amor sentimos.
Na mesma proporção que alimentamos a fonte do ódio ou a fonte do amor, elas nos realimentam.

É por isso que quem ama cada vez quer amar um pouco mais. É por isso que quem odeia, cada vez odeia mais, porque é alimentada por essa onda, por esse banco de ondas, se quisermos nos expressar assim.

Então cada qual de nós vai colaborando de maneira individual, de modo pequeno para esse macrossistema de energias violentas, de energias negativas, de energias beligerantes que vamos encontrando promotoras das guerras.

As brigas domésticas, as traições, as indisposições com os nossos entes queridos, com os amigos, com as pessoas, a guerra do trânsito, a guerra do lar, da sociedade, do emprego, isso tudo vai alimentando essas ondas que, por sua vez sustentam , nutrem as guerras.

É por essa razão que, quando explode uma guerra, a sociedade inteira padece com ela, ao nível do seu comprometimento.

Há aqueles que são forçados a ir para o front, para o campo de guerra, para as frentes de batalha.

Há outros que sofrem o problema da fome, da carência, do que passa a faltar no período da conflagração.

Desse modo, vamos nos dando conta de que, a seu turno, todas as criaturas que colaboraram para a guerra, de uma maneira ou de outra, com seus pensamentos, com suas ações, vão recebendo o ricochete, vão recebendo a resposta, vão resgatando, ao nível do que devem, aquilo para o que colaboraram.

Nada de guerras. Toda e qualquer guerra tem origem no cerne, no âmago da criatura humana.

Com o conhecimento da paz que Jesus Cristo nos veio trazer, já é tempo de começarmos a fomentar a paz e como Ele nos disse, nos veio trazer modelo dessa paz: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não vô-la dou, porém como o mundo a dá.

Dessa forma, vamos sentindo que a paz do Cristo jamais será como a preguiça rançosa, comparada à paralisia dos cadáveres. A paz do Cristo será sempre o trabalho no bem, a busca pelo aprimoramento nosso, da criatura humana, dos que nos cercam o aprimoramento da vida.

Guerras? Evitemo-las porque, afinal de contas, somos filhos da Grande Luz e da Grande Paz que é Deus.              

 

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 174,
apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação
da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em setembro de 2008. Exibido pela NET,
Canal 20, Curitiba, no dia 16.08.2009.
Disponível no DVD Vida e Valores, v. 4, ed. Fep.
Em 04.01.2010

© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014