José Lopes Neto

Presidente: 1909; 1914 – 1915

 

Nasceu em 1882, na capital paranaense, Curitiba, e era filho de Genésio Lopes e Clara Lopes. Embora não tenha assinado a Ata de fundação da Federação Espírita do Paraná, consta como sócio fundador, ao lado de outros nomes de pensadores e liberais como João Urbano de Assis Rocha, Sebastião Paraná, João Pedro Schleder, Manoel Pacheco de Carvalho, entre outros.

 

Elemento jovem, causou verdadeira admiração sua disposição pelo trabalho no campo da Doutrina Espírita. Muito moço ainda, Lopes Neto tinha sobre seus ombros os encargos da casa e, na luta árdua pelo ganha pão de cada dia, sentia um entusiasmo inusitado pelas belezas da nova fé que abraçara com extrema convicção.

 

A seu respeito, escreveu Lins de Vasconcellos: Espírito sensato, caráter puro, José Lopes Neto ficou em cenário restrito e seu nome é venerado apenas no Paraná. Todavia, o seu esforço honesto de homem pobre que criou e educou vários irmãos ( um médico, um advogado e várias professoras normalistas), sem contrair matrimônio para não prejudicar ninguém, o seu esforço, repito, vale por um poema e deve servir de inspiração a muitos pobres que desanimam sob a violência das primeiras procelas, como se a vida não fosse sempre assim.

 

Com apenas 22 anos, em 11 de novembro de 1904 foi conduzido ao cargo de 2º Secretário da Diretoria da Federação Espírita do Paraná, sob a presidência de Sebastião Paraná de Sá Sottomaior.

 

Foi o primeiro orador espírita a sair para o interior do Estado levando a palavra da nova Revelação, tão pouco conhecida. Em 10 de dezembro de 1905 foi eleito 1º Secretário da Federação e em 10 de dezembro do ano seguinte, 1906, foi eleito Vice-Presidente, em cujo cargo permaneceu até 13 de Janeiro de 1907.

 

Em 2 de agosto de 1908 foi eleito para a Comissão Central, órgão equivalente a um Conselho Soberano e, a 30 do mesmo mês, foi eleito Secretário Geral.

 

Em 10 de abril de 1909 ocupou a Presidência da Federação Espírita do Paraná, onde permaneceu até 3 de janeiro de 1912, afastando-se da Comissão Central, então, até 12 de janeiro de 1913. Retornou à Presidência em 11 de janeiro de 1914, permanecendo até 10 de janeiro de 1915, declinando de assumir novo mandato, escolhido que foi nas eleições realizadas naquela data.

 

Durante sua gestão como quinto Presidente da Federação, em 21 de maio de 1911, em uma reunião extraordinária da Comissão Central Permanente, José Lopes Neto defendeu a idéia de criação de um sanatório, já esboçada por João Huy e Manoel Antonio Ferreira da Cunha, como instituição assistencial da Federação.

 

Contudo, somente no ano de 1920, se idealizou a criação de um Hospital Espírita, como Departamento da Federação, concretizando-se, com sua inauguração, em 31 de março de 1945, portanto 34 anos após o sonho inicial do jovem idealista, o Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro.

 

Em todo esse período, jamais se afastou de suas atividades nos trabalhos doutrinários, sobretudo com atuação de sua lúcida qualidade de médium vidente, sonambúlico, psicógrafo, curador e audiente, além de orador inspirado, vibrante e vibrátil, segundo palavras de Lins.

 

Exerceu ainda as funções de Procurador e Redator de Monitor Espírita, órgão oficial da Federação Espírita do Paraná, nos anos de 1916 e 1917. Foi também Diretor do Albergue Noturno, interinamente, em 1917, ano em que, ainda jovem, a 8 de outubro, encerrou seu ciclo na presente existência, com apenas 35 anos, após tão assinalados serviços prestados à Federação Espírita do Paraná.

 

Moço modesto e sem os lauréis acadêmicos, revelou-se espírito grandemente amadurecido e quiçá escolhido pelo Alto para o exercício da tarefa. Teve, como outros confrades de seu tempo, uma atuação superior a 15 anos, junto à Federativa Estadual, com dedicação e verdadeiro amor à Doutrina.


© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014