Nancy Westphalen Corrêa
Nasceu na cidade da Lapa, PR em 5 de abril de l930. Quando tinha em torno de cinco anos, aconselhada pela prima Noemia Amaral Gutierrez, que era espírita, sua família se transferiu para Curitiba, em busca de atendimento espiritual para sua mãe, Joanita Westphalen Corrêa, que apresentava sintomas de mediunidade.
Na Federação Espirita do Paraná - FEP, sua mãe foi atendida por Olegário Arruda. Nancy, desde cedo, se acostumou a ficar sob os cuidados de Elvira Marquesini, cuja família respondia pelo Albergue Noturno da FEP, então no velho casarão da Saldanha Marinho, toda vez que sua mãe participava das reuniões na FEP.
Com o irmão José, de seis anos, Nancy acompanhava a mãe aos Centros Espíritas que ela frequentava. De forma ingênua, criança de cinco anos, costumava reunir a funcionária da casa e os dois funcionários de seu pai, que moravam em residência anexa, para transmitir passes, conforme observava nos Centros Espíritas.
Certa feita, em torno dos onze anos, indo com sua mãe a determinado trabalho mediúnico, dirigido por uma senhora de nome Conceição, essa olhou para a menina, convidou-a a sentar-se à mesa, deu-lhe papel e lápis. Minutos depois, uma mensagem fora escrita por Nancy, e assinada por um amigo da senhora Conceição. Esse fato trouxe preocupação para a mãe, que decidiu, dali em diante, que a menina continuasse somente a tomar passes.
Seu pai, Antônio Corrêa, desencarnou quando ela contava doze anos. Frequentou, posteriormente, trabalhos mediúnicos orientados por Anita Zeppin, no que hoje constitui o Centro Espírita Missionários do Mestre, no Centro Cívico; depois, um grupo sob orientação da senhora Lídia, que se transformou no Centro Espírita Leocádio José Correia, situado no bairro Santa Quitéria, em Curitiba.
Em 1951, começou a frequentar a União da Mocidade Espírita de Curitiba - UMEC, coordenada por Honório Mello. Em 1954, junto ao coração de Elvira Marquesini, organizou o Natal no Albergue Noturno, o que prosseguiu a fazer, durante anos.
Foi a 24 de abril de 1954, que Nancy conheceu o médium baiano Divaldo Pereira Franco, que veio a Curitiba para a Semana Espírita e lhe foi apresentado pelo então vice-presidente da FEP, Abibe Isfer. Divaldo a convidou para que fosse a Paranaguá onde ele iria fazer uma palestra, no dia seguinte. Ela viajou de trem, com um pequeno grupo de jovens. Naquela tarde, participou de uma prece, durante visita feita a uma creche em construção. Foi ali que Divaldo lhe afirmou a mediunidade.
Foi no retorno dessa viagem, relatou Nancy, em certa oportunidade, com emoção, que Abibe lhe disse que a partir daquela data a considerava sua filha. E ela passou a integrar as reuniões mediúnicas da FEP, às segundas e quartas, onde permaneceu por vinte e oito anos. Essa convivência com Abibe Isfer criou um laço afetivo muito grande e ambos entretinham longas conversas.
Com ele ainda, colaborou no Lar Icléia e no então Sanatório Bom Retiro, aos sábados, transmitindo passes. Muitas vezes, foi designada, por Abibe, para proferir palestras em reuniões comemorativas da FEP.
Durante o ano de 1960, em que estudou no Rio de Janeiro, frequentou reuniões familiares e Centro Espírita, no qual conheceu Dolores Bacelar.
Foi diretora da Associação Protetora do Recém Nascido e da Associação das Senhoras Espíritas, na FEP, além de colaborar na Caixa do tuberculoso pobre.
Quando, na gestão de Walter Amaral, foi criado o Centro Espírita Abibe Isfer, como Departamento da FEP, Nancy estranhou a nova organização. Ao comentar a respeito com Abibe, dele recebeu a recomendação: Seu lugar é lá, e você deve se adaptar às novas diretrizes.
Integrou-se ao Centro Espírita Abibe Isfer - CEAI, fundado em 15 de setembro de 2002, constituindo-se em incentivadora de todos os seus trabalhadores e participantes, da necessidade de estudar a Doutrina dos Espíritos.
Foi sua primeira Diretora Administrativa e dedicou seus esforços na reforma do prédio da Alameda Cabral para a instalação do CEAI.
Profunda admiradora da Doutrina Espírita, a via como princípio de amor ao próximo. Como consequência, fez da Doutrina a religião que abraçou, agradecendo a oportunidade que teve de conhecê-la, na Federação Espírita do Paraná.
Na gestão 2012-2013 e 2014-2015, foi designada para compor a Diretoria do Departamento de Orientação ao Serviço Social Espírita da FEP, na qualidade de membro colaborador.
Profissionalmente, Nancy, formada em Biblioteconomia e Documentação, lecionou na Universidade Federal do Paraná, durante trinta anos.
Com profundo sentimento de gratidão, a FEP noticiou o seu retorno à Pátria Espiritual, na quinta-feira,19 de março de 2026, afirmando que Nancy deixou um legado de quase um século de dedicação ininterrupta à Doutrina Espírita, tendo sua trajetória fundida à própria história do Movimento Espírita paranaense. Que o Plano Espiritual a receba com as vibrações de paz que ela tanto semeou em solo paranaense.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, decretou na sexta-feira, 20 de março, luto oficial de um dia pela sua desencarnação, declarando: Ela foi um exemplo para todos nós de uma vida de profundo amor e trabalho por Curitiba. Uma pessoa querida que deixa muitas saudades.
Por sua vez, Rafael Greca, prefeito de Curitiba em três gestões, em seu instagram declarou a estima e grande consideração por Nancy, com detalhes que, possivelmente, nem todos tenhamos conhecimento.
Deixou este plano terrestre o elevado Espírito de nossa querida irmã na fé cristã, Nancy Westphalen Corrêa (1930–2026), notável descendente do probo desembargador Westphalen. Natural da Lapa, onde viveu seus primeiros quatro anos, Nancy morou em Curitiba por 92 anos. Desde 1957, no centro da cidade, residia no tradicional Edifício Provedor André de Barros, onde foi vizinha de Dona Flora Camargo Munhoz da Rocha, na Praça Osório. Todas as vezes que eu, prefeito, visitei aquele logradouro, ela vinha para a rua nos esperar, sob o arvoredo.
Era amiga queridíssima de toda a nossa família. Quando comparecia aos eventos musicais, benfeitora e mentora que era da Aliança Francesa de Curitiba, praticava a ilustre língua de Racine com a minha amada Margarita. Mulher linda, tão elegante quanto culta, emanava bênçãos e bons fluidos com seu largo sorriso. Foi também benemérita do “Capa dos Pobres”, da “Casa Abibe Isfer” e da “Federação Espírita do Paraná”.
Desde menino, soube por meu pai, Eurico Dacheux de Macedo, do valor da Da. Nancy como bibliotecária sênior da Universidade Federal do Paraná e grande diretora da nossa Biblioteca Pública do Paraná. Foi parceira de Newton Carneiro, Mário Romani, Erasmo Pilotto, Cecília Westphalen, de Dona Flora e do governador Bento Munhoz da Rocha, ajudando a organizar aquele grandioso acervo na então sede definitiva da Rua Cândido Lopes, entre a Dr. Muricy e a Ermelino de Leão.
Em 1993, foi a ela que recorri para dizer que queria fazer uma nova Biblioteca Pública Municipal, com tecnologia de internet, que então começava. Nancy me disse: “Faça uma rede de bibliotecas de bairro, todas informatizadas, com cinco mil livros cada uma, dez computadores e espaços maker (MIT).”
Nasceram ali os Faróis do Saber e da Inovação, à porta de dezenas de escolas municipais, do Tatuquara a Santa Cândida, de Santa Felicidade ao Boqueirão, do Atuba à Cidade Industrial de Curitiba.
Nancy, inspirada, num transe paranista, repetiu Romário Martins e João Turin, que professava o Espiritismo como ela, e nos exortou a fazer todo o bem cultural que fizemos. Nossa Prefeitura celebra Nancy como resistente moradora do Centro.
Seja bendita, doce Nancy, a Hipátia curitibana, numa alusão à bibliotecária neoplatônica morta por barbárie em 415 d.C. A Alexandria celeste te espera!
Em 20.3.2026
© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014