Alegria perfeita - Joanna de Ângelis
Pessoas desinformadas estabeleceram que a vida cristã é destituída de alegria, caracterizando-se pela tristeza e depressão.

Na ausência dos encantamentos da ilusão e das ansiosas buscas do prazer, torna-se monótona, sem atrativos que seduzem e levam aos jogos contínuos do entusiasmo, dessa forma perdendo o brilho.
 
Creem, então, que as paisagens pelas quais se expressa são feitas, cinzentas, porque lhes faltaria o sol das paixões que abrasam o corpo.

Por outro lado, completaram que a alegria se exterioriza pelos risos, que devem ser estrondosos, como gargalhadas; pelo ruído e movimentação, que despertam a atenção e provocam os sentimentos controvertidos da excitação. 

Passaram a acreditar que o sentido da caminhada terrestre se direciona para as sensações que comburem até a exaustão.

Por isso, transferem-se de uma para outra, em incessante busca de novos acepipes que mantenham em alta os gostos e estímulos para continuarem na luta.

Como consequência, cansam-se com rapidez, perdem as motivações nas empresas a que se dedicam, fazem-se apáticas facilmente, desencorajam-se ante qualquer obstáculo.

Fugindo da realidade pessoal, elaboram mecanismos psicológicos conscientes ou não para se evitarem o despertamento da razão em relação às legítimas necessidades, aquelas que podem ser atendidas em profundidade, desaparecendo em completo e cedendo lugar ao bem-estar.
 
Permitem-se os vícios escravizadores, aos quais se submetem com euforia, exibindo-se como recurso agressivo aos demais, àqueles que lhes não compartem as ideias nem a conduta.

Chegam a demonstrar que o equívoco, o atentado à ordem, o comportamento irregular são os que devem ser aceitos e válidos, desejando que as demais pessoas se lhes submetam ao talante.

Irrequietas, transferem-se da alegria para o esgar, do júbilo para a gritaria, assim apagando as vozes dos conflitos em que se aturdem.

Exibem-se vestidas de felicidade e chamam a atenção, sofrendo a instabilidade emocional, as ansiedades não saciadas, os problemas não resolvidos.
Distorceram o entendimento a respeito da arte de viver e recusam-se a corrigi-lo, temendo o despertar da consciência.

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A vida cristã é rica de beleza, de variadas paisagens incomparavelmente fartas de cor e luz, que convidam à meditação, à reflexão profunda, ao entusiasmo.

Ínsita na existência terrestre, fala das oportunidades que se desenham para o futuro, enquanto faculta a harmonia pessoal, que se apresenta em clima de tranquilidade e de bem-estar.

Porque infinita, varia de propostas com frequência, porquanto conseguida uma etapa, outra se apresenta atraente e encantadora, estimulando novos avanços.

A alegria que se deriva do conhecimento do que se deseja realmente e de como consegui-lo preenche os vazios do coração e atende às imensas buscas da inteligência.

Não produz ruído e gera satisfação interna, irrigando todo o organismo de vibrações harmônicas, que produzem equilíbrio geral.

Jamais causa cansaço ou se torna monótona, ensejando claridade, interna e externa, que facilita a marcha no rumo da finalidade eleita: a plenitude.

O cristão, porque encontrou a razão fundamental da sua existência na Terra, é alegre, gentil e generoso. O seu é o júbilo irradiante da felicidade que jamais se interrompe, nem mesmo quando surgem embaraços ou desafios convidando-o a reflexões e lutas mais graves, pois compreende que essas situações estão incursas no programa traçado. Para chegar a seu termo, investe todos os esforços possíveis, confiando no êxito, ao mesmo tempo experimentando o prazer de executá-lo.

É sempre alegre, mas nunca leviano; jovial, porém severo para consigo mesmo; sensível, no entanto forte; agradável, todavia sincero, não negociando com a mentira nem a incorporando aos seus hábitos, dos quais foi banida.

Participa das atividades gerais sem escravizar-se a nenhuma. É obstinado pelo que anela, sem fazer-se agressivo ou rude.

Interiorizando os valores do Espírito, que desenvolve e multiplica pela ação do bem, exterioriza autorrealização que desperta interesse em todos aqueles que o cercam, pelas ondas de paz que irradia.

As suas forças sempre se multiplicam, porque as vitaliza com o pensamento ligado às Esferas superiores, sem que isso lhe proporcione qualquer tipo de trauma ou frustração em relação à existência terrena.
Como tem por meta a imortalidade, torna a jornada física uma experiência de amor e de iluminação gratificante, ornando-a de lições abençoadas, de cujo conteúdo se nutre e aformoseia.

A vida cristã é a única que pode proporcionar a alegria perfeita, essa que conduz a alma ao êxtase, no qual o Espírito e a matéria vivem as emoções do bom, do belo e do pleno.

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Desvestida de místicas, a vida cristã é uma proposta filosófica e psicológica saudável, porque elimina os medos que se apresentam como fantasmas perturbadores do comportamento pessoal. Elucidando que todas as ocorrências estão sujeitas à lei do mérito ou demérito, equipa o indivíduo para enfrentar as vicissitudes, os sofrimentos, a velhice, as enfermidades e a morte, com naturalidade, dispondo-o a fortalecer-se moralmente, assim as superando, quando por ele defrontadas. E, ao invés de sentir-se desanimar, possui valor moral para considerá-las recursos iluminativos e rejubilar-se.

A alegria não apenas deriva das ocorrências agradáveis, mas também de todas as outras que se apresentem e sejam administradas corretamente, delas retirando sempre resultados proveitosos.

Para o êxito, porém, de tal empresa – a busca da alegria perfeita -, é necessário travar conhecimento com Jesus e sentir-Lhe a magnanimidade, a excelsitude, entrar em sintonia com Ele.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
em 18.6.1997, na cidade de Praga, República Tcheca.
Em 19.6.2025

© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014