Cânticos do Natal - Joanna de Ângelis
Roma sobrepusera-se ao mundo conhecido e dominava-o com arrogância. Duas legiões silenciaram reis e imperadores, que se lhes submeteram ao talante ou tiveram as vidas fanadas.

As multidões encontravam-se sob o guante da força cruel que procedia da soberba capital do Império. Augusto governava sentado num trono de poder inigualável e, diferindo de outros imperadores implacáveis, cultivava as artes, a literatura, a poesia, a estatuária.

Os templos se engalanavam em toda parte e, embora fossem respeitadas todas as religiões e crenças dos povos submetidos, eram exaltados os deuses do panteão romano e a figura do imperador, cujo nome passou a denominar o século no qual viveu.

A política econômica e social do mundo sofria as condições impostas pela hegemonia do poder guerreiro.

Na exuberância da sua glória, César Otávio decretara o censo, a fim de saber o montante dos valores conquistados e a quantidade de vidas submetidas.

O monstro da guerra, naquela ocasião, diminuíra a força de destruição dos reinos e das criaturas, enquanto uma psicosfera de paz varria o Império com lufadas de esperanças.

Foi nesse clima de expectativas e sob essas aragens de alegria que nasceu Jesus.

O Seu berço humílimo competiu com o sólio de estrelas, por ser Ele o Rei Solar.

A Natureza silenciosa, visitada pelos seres angélicos, escutou a musicalidade divina saudando-O no momento do Seu mergulho nas sombras do mundo.

E a partir daquele instante a Humanidade jamais seria a mesma.

Haviam transitado antes dEle homens e mulheres que dominaram outros, utilizando-se da astúcia e do crime, do suborno e da traição, da violência e da guerra, mas passaram odiados e assinalados pelos pesadelos que se tornaram para os outros, que os temiam.

Jesus chegou suavemente e, embora não houvesse lugar para Ele nem para a Sua mensagem, modificou a estrutura do pensamento terrestre, iniciando a Era do Amor.

Depois dEle, outros hediondos combatentes que esmagaram a Terra com a sua alucinação tentaram asfixiar-Lhe a voz e apagar-Lhe a lembrança na memória dos séculos, sucumbindo, porém, sob a própria impulsividade sem que o houvesse conseguido.

Ele assinalou a história dos tempos e superou o Século de Augusto, construindo o Reino da Fraternidade Perene.

*

Certamente, ainda permanecem no plano terrestre as forças da crueldade e do fanatismo dominando centenas de milhões de vidas e esmagando-as...

A fome, o abandono, as enfermidades a pobreza, a solidão reinam entre as criaturas, demonstrando que as glórias do poder humano ainda não se conjugaram para abrir os braços da justiça social e da dignificação das criaturas.

Isso sucede porque os homens e as mulheres se negam a deixar-se penetrar pelo pensamento de Jesus.

*

Nas comemorações do próximo Natal, enquanto ouças os cânticos dos seres angélicos exaltando o Rei incomparável, sintoniza com Ele e atende a dor que se movimenta ao teu lado, a miséria que se demora contemplando-te, e minimiza a tristeza, a necessidade e os sofrimentos dos teus irmãos de jornada, aqueles para os quais, conforme O fez em relação a ti, Ele veio, com o objetivo de instalar o período de justiça, de abastança e de paz.

Seja, pois, o teu Natal a oportunidade incomum de seres feliz, gerando felicidade em volta da tua existência.


Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
no Centro Espírita Caminho da Redenção,
em Salvador/BA, em 14.10.1996.
Em 9.2.2026

© Federação Espírita do Paraná - 20/11/2014